Em 1860, retoma atividade como Associação Promotora da Indústria Fabril (APIF), promovendo exposições industriais e incentivando o estudo técnico e científico da indústria. Em 1886 recupera a designação original, Associação Industrial Portuguesa.
Homens de ideias liberais com cultura política e científica
A criação da AIP resultou da iniciativa de um grupo notável de personalidades que se distinguiam pela sua formação intelectual, visão económica e compromisso com os ideais liberais. Entre os 756 subscritores dos primeiros estatutos encontravam-se empresários, negociantes, engenheiros, militares, académicos, escritores, médicos e figuras com intervenção política ativa — um núcleo que representava a elite cultural e científica da época.
Destacavam-se entre eles:
- João Pedro de Amorim – Marítimo e comerciante; autor do Dicionário da Marinha (1841).
- Guilherme Quintino de Avelar – Combatente liberal; diretor do Círculo das Alfândegas do Algarve.
- Francisco de Paula Lobo de Ávila – General liberal; deputado por Ovar; opositor de Costa Cabral.
- David Gonçalves de Azevedo – Cavaleiro das Ordens da Conceição e da Rosa (Brasil); vice-cônsul no Maranhão; presidente do Gabinete Português de Leitura.
- António Joaquim Barjona – Catedrático e diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra; deputado.
- José Marciano Correia Belles – Tenente do Exército; membro da Maçonaria.
- João Pinto Carneiro – General de brigada; autor do Código Civil de 1863 e do Código de Justiça Militar.
- João Carlos Lara de Carvalho – Advogado e escritor.
- Manuel Vicente Teixeira de Carvalho – Membro do Governo interino pós-Revolução de 1820; guarda-mor da Torre do Tombo.
- Alexandre Fernandes da Fonseca – Fundador da Sociedade dos Artistas Lisbonenses.
- João José Alves Freineda – Taquígrafo da Câmara dos Senadores.
- Francisco da Ponte e Horta – General de divisão, arma de engenharia; professor.
- Joaquim Manuel de Moura Lampreia – Padre franciscano.
- António José de Lima Leitão – Médico, militar, escritor e tradutor; pioneiro da homeopatia em Portugal; membro da Maçonaria.
- João Pedro de Santa Clara da Silva Lemos – Oficial do Exército; jornalista.
- Joaquim José Lisboa – Escritor.
- Francisco Luís Lopes – Escritor.
- José Manuel da Gama Carneiro e Sousa – Conde de Lumiares; Presidente do Conselho de Ministros; Ministro da Guerra, da Marinha e do Ultramar.
- Bento Joaquim Cortês Mântua – Jornalista e proprietário.
- José Maria Mascarenhas de Melo – Oficial do Exército.
- José António Miranda – Magistrado.
- Joaquim Ramalho Ortigão – Combatente liberal; bisavô do escritor Ramalho Ortigão.
- Carlos Cezar Ribeiro – Oficial do Exército; escritor; sócio da Real Academia de Ciências de Lisboa.
- David da Fonseca Pinto – Jornalista.
- Samuel Safarty – Negociante.
- José Pedro Soares – Professor; escritor.
- Joaquim José de Sousa – Médico.
- Henrique Daniel Wenq – Escrivão da Alfândega de Lisboa.
Este conjunto de perfis evidencia a ambição fundadora da Associação: unir o conhecimento técnico, científico, cultural e económico para promover o desenvolvimento industrial e modernizar o país.
Sedes
RUA AUGUSTO ROSA, ALJUBE.
1837
Por decreto da Rainha D. Maria II, assinado pelo Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda, João Oliveira, a AIP recebeu, em 18 de dezembro de 1837, o uso das instalações do antigo Aljube. Construído no século XVI e utilizado durante séculos como prisão, o edifício estava então ocupado por repartições públicas. Hoje, alberga o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.
RUA DO ARCO BANDEIRA (ATUAL RUA DOS SAPATEIROS). 1860 – 1865
Após décadas de transformações, a AIP retoma o movimento associativo sob a designação Associação Promotora da Indústria Fabril, com estatutos homologados por D. Pedro V. Instala-se no n.º 23 da Rua Arco de Bandeira.
RUA DA BOAVISTA.
1865 – 1887
Durante a presidência de Fradesso da Silveira, a sede muda para o 2.º andar do n.º 42 da Rua da Boavista, onde permanece por mais de duas décadas.
RUA IVENS.
1887
Graças a uma subscrição entre fabricantes e empresas industriais, a AIP instala-se no n.º 20, 1.º andar, da Rua Ivens, no Chiado. Contribuíram 24 entidades, metade do setor têxtil, destacando-se a Companhia Nacional de Tabacos com a maior quantia (45$000 reis). No total, foram angariados 463$000 reis.
Presidentes da época
Joaquim Fradesso da Silveira
1863-1875 | Professor e empresário
António de Barros Carvalhosa
1875-1886 | Militar e político
António Augusto de Aguiar
1886-1887 | Professor e político
João Crisóstomo Melício
1888-1890 | Político e jornalista
José Joaquim da Silva Amado
Fernando Mattoso dos Santos
1892-1893 | Médico e político