Women & Business | Elisabete Ferreira

Uma questão de atitude


Num setor tradicionalmente masculino e marcado por fortes raízes culturais, Cátia Afonso tem vindo a afirmar-se com determinação, visão estratégica e uma atitude que define como essencial para qualquer líder. Fundadora e CEO da Olivadouro desde 2011, apostou num modelo agrícola inovador em Trás-os-Montes, investindo no olival em sebe (superintensivo) no Vale da Vilariça, concelho de Vila Flor, em plena Região Demarcada do Douro Superior.


Dona de uma exploração total de 80 hectares — 54 dedicados ao olival — a empresária transformou um negócio de base familiar num projeto estruturado e orientado para a criação de valor. Em 2019 lançou a marca OLIV8, através da qual promove azeites virgem extra de alta qualidade, comercializados a granel sobretudo na região Norte e exportados para a Suíça e os Estados Unidos, em particular para a Flórida. A aposta na diferenciação e na internacionalização tem sido reconhecida além-fronteiras: nos últimos cinco anos, a marca conquistou oito medalhas internacionais atribuídas no Japão, Dubai, Los Angeles, Nova Iorque e Berlim.


Paralelamente, diversificou a produção agrícola com a aposta nos frutos secos, nomeadamente no pistácio, contando atualmente com 29 hectares em modo de produção biológico — um investimento de longo prazo que reflete a sua visão estratégica e capacidade de planeamento.


Consciente das barreiras culturais que enfrentou, Cátia Afonso assume que ser mulher num mercado altamente masculino, tanto na agricultura como na construção civil, foi um fator diferenciador. Ainda assim, fez da transparência nos processos, da criação de marcas e da proximidade com o mercado pilares da sua liderança. Entre a gestão exigente da empresa e a vida pessoal, encontra no planeamento rigoroso e na prática diária de exercício físico o equilíbrio necessário para manter o foco e evitar o burnout.


Neste testemunho, a empresária partilha o seu percurso, os desafios que moldaram a sua trajetória e a importância da atitude, da resiliência e do espírito de missão num contexto empresarial cada vez mais competitivo e global.



O que a levou a escolher a atividade que exerce?

É um negócio que vem de família. 


Que barreiras teve de ultrapassar para chegar onde está?

Barreiras culturais.


Ser mulher revelou-se, em algum momento, um fator diferenciador?

Sim, mas pelo facto do mercado, tanto na construção civil como na agricultura, ser altamente masculino. 


Que desafios enfrentou e que escolhas foram determinantes no seu percurso?

Criar marcas de forma a acrescentar valor ao produto.


Que qualidades considera essenciais para um líder superar os desafios de hoje?

Atitude.


Como descreveria o seu estilo de liderança e como ele evoluiu ao longo da sua carreira?

O meu estilo de liderança é bem aceite pelos clientes, devido à transparência dos processos.


Como equilibra as suas responsabilidades profissionais com a vida pessoal?

Nem sempre é fácil, mas com planeamento a longo prazo e mantendo agendado o trabalho. Revendo mensalmente os assuntos e metas. Obviamente, que o tempo é sempre um fator determinante e envolvo a minha filha muitas das vezes em trabalhos que têm de ser feitos nos meus tempos livres, aproveitando sempre o facto de ir às compras para verificar os preços de prateleira no caso do azeite. 


Que estratégias utiliza para manter o bem-estar e evitar o burnout?

Através do exercício físico.


Há algum hábito ou prática que tenha contribuído significativamente para o seu desempenho e bem-estar profissional?

A prática do exercício físico diário. É o tempo que me equilibra e não penso em mais nada.


Pode falar sobre um mentor ou líder que teve um impacto significativo na sua carreira?

Quando fui para o mercado de Angola, o senhor Carlos Neto, líder da empresa Ferneto, que hoje tem, inclusivamente, ruas com o seu próprio nome na zona industrial de Vagos, uma vez que já faleceu. 


Existe alguma figura feminina que seja uma referência ou inspiração para si? Porquê?

Cristina Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal de Bragança e da Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), no mandato autárquico de 2021/2025. Há pessoas que, de forma abnegada, se colocam ao serviço do outro e ao serviço da comunidade, merecem o nosso reconhecimento e agradecimento público! Cristina é uma dessas pessoas: diretora do Centro, de 2012 a 2017; chefe de Serviços, de 2004 a 2012; e coordenadora do Núcleo de Gestão, de 2001 a 2004. Foi tudo seguido, ao longo de 13 anos (2004 a 2017). Com uma grande experiência no contacto com o tecido empresarial, por força das suas funções, criou nesse âmbito um espírito de missão na ponte entre as empresas e a organização nas ofertas e oportunidades do mercado de trabalho. Na qualidade de presidente da Assembleia Municipal de Bragança, no mandato entre 2021 e 2025, conseguiu congregar vontades e criar consensos, onde outros viam obstáculos e impedimentos. Mulher empreendedora, empoderada e de uma grande resiliência, perseverante no objetivo do bem coletivo, no interesse maior da comunidade. Foi neste contexto que também chegou até mim, aceitando o convite para estar presente no evento da minha autoria, promotor de networking, levado a cabo no período de Natal de 2024, no projeto ELFO.PORTUGAL. Para além da sua presença, fez questão de manifestar também o seu apoio à minha iniciativa.