AIP defende inovação orientada para as empresas como motor da competitividade regional

A AIP-CCI participou no DRI’26 – Design for Regional Innovation Summit, em Castelo Branco, defendendo uma maior articulação entre universidades, empresas e municípios e propondo a criação de um Programa Regional de Inovação Empresarial para a Beira Baixa. O objectivo é transformar conhecimento científico em soluções concretas que contribuam para a produtividade, a diferenciação e a internacionalização das empresas.


A AIP – Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria esteve representada por Alexandre Caldas, assessor para a área da Inovação, no DRI’26 – 1st Design for Regional Innovation Summit, realizado em outubro de 2026, em Castelo Branco, no âmbito do lançamento do Doutoramento em Design para a Inovação Regional, promovido pelas Universidades Politécnicas de Castelo Branco e de Viana do Castelo.


Durante o encontro, a AIP destacou a importância de aproximar a investigação científica da realidade empresarial, defendendo que a inovação regional só produz verdadeiro valor económico e social quando se traduz em melhorias concretas nos processos produtivos, no desenvolvimento de novos produtos e serviços e na capacidade das empresas para competir nos mercados nacionais e internacionais.


Num tecido empresarial constituído maioritariamente por PME e microempresas, a inovação enfrenta desafios associados à dimensão das organizações e à disponibilidade de recursos financeiros, humanos e tecnológicos. É, por isso, fundamental criar condições para que estas empresas possam beneficiar mais directamente do conhecimento produzido pelas universidades e por outras entidades do sistema científico e tecnológico.


A AIP considera que esta aproximação deve ir além da cooperação institucional, promovendo projectos concretos, desenvolvidos a partir das necessidades identificadas pelas empresas e orientados para resultados mensuráveis. A colaboração entre universidades, empresas e municípios pode, assim, desempenhar um papel importante na identificação de oportunidades de inovação e na valorização das competências regionais.


O Doutoramento em Design para a Inovação Regional constitui uma oportunidade para aprofundar esta ligação, nomeadamente através do desenvolvimento de investigação aplicada directamente nas empresas, envolvendo doutorandos, investigadores e equipas multidisciplinares. A articulação do design com áreas como a engenharia, a computação, a economia e a gestão pode contribuir para encontrar respostas inovadoras aos desafios dos sistemas produtivos.


No âmbito da sua intervenção, a AIP propôs a estruturação de um Programa Regional de Inovação Empresarial para a Beira Baixa, destinado a reforçar a ligação entre as empresas e as entidades produtoras de conhecimento. A proposta prevê o diagnóstico das necessidades empresariais, o desenvolvimento de projectos-piloto, a colaboração com doutorandos e equipas multidisciplinares, a transferência de conhecimento e a avaliação dos resultados alcançados.


A eventual mobilização de instrumentos de financiamento, como o SIAC – Plataformas Colaborativas, poderá ser equacionada em articulação com a CCDR Centro, dependendo do enquadramento e da elegibilidade da iniciativa.


A estratégia deverá partir das características e das vocações do território, valorizando sectores como o agroalimentar, o turismo, o montanhismo e as tecnologias de produção. A identificação de oportunidades nestas áreas poderá contribuir para desenvolver soluções diferenciadas, valorizar recursos locais e reforçar a presença das empresas nos mercados internacionais.


A importância da inovação nos materiais e no design foi ilustrada com o exemplo de um notebook produzido a partir de granito, desenvolvido pela KAST em 2016. Este projecto demonstra como a conjugação de criatividade, conhecimento técnico e valorização dos recursos locais pode dar origem a produtos diferenciados e criar novas oportunidades de mercado.


A participação no DRI’26 enquadra-se na missão da AIP de apoiar o desenvolvimento e a competitividade das empresas portuguesas, promovendo condições para a modernização, a inovação e a internacionalização do tecido empresarial.

A cooperação entre empresas, universidades, municípios e outras entidades constitui uma oportunidade para aproximar a investigação das necessidades do mercado e facilitar o acesso das PME a conhecimento e competências que, individualmente, nem sempre conseguem mobilizar.


Para a AIP, o desafio é transformar a inovação numa ferramenta efectiva de competitividade: levar a investigação para dentro das empresas, converter conhecimento em soluções aplicadas e gerar valor económico e social, contribuindo para o desenvolvimento das empresas e dos territórios.