José Eduardo Carvalho participou no Fórum integração Mercosul – União Europeia organizado pela Associação Comercial de São Paulo no dia em que o parlamento brasileiro aprovou a adesão do Brasil ao acordo. Na presença de responsáveis brasileiros pela negociação, senadores e empresários, o presidente da AIP iniciou a intervenção abordando as vantagens e a importância do acordo salientando que “não é apenas um fator que irá incrementar as relações comerciais, mas é uma escolha estratégica para o futuro da Europa e da América do Sul. E, talvez, uma tentativa tardia de evitar a perda de influência da UE nesta região, face ao reforço que a China e a India têm evidenciado”. Explicitei depois os receios de alguns países europeus face ao acordo de liberalização do comércio, justificando a exigência das chamadas “cláusulas espelho” ou de salvaguarda, nos “quais os produtos importados devem seguir as mesmas normas sanitárias e ambientais impostas aos produtos europeus”. Referiu também que os europeus também estão “conscientes que o Mercosul é um fornecedor de lítio, ferro, níquel, terras raras e bio combustíveis essenciais para a concretização do desígnio europeu da transição energética e da descarbonização”.
Abordou de seguida as barreiras não alfandegárias que entravam a presença europeia na região e forneceu alguns dados sobre a dimensão das trocas comerciais da UE/Mercosul, concluindo que a UE é o maior bloco económico no comércio mundial com 7,1 triliões de U$D de exportações; que nas relações comerciais com a Mercosul a China comercializa (principal parceiro comercial com 180 biliões de U$D) e a UE investe (stock de IDE 391 biliões de U$D); e que o sucesso das relações entre a UE/Mercosul dependera da evolução das relações da União Europeia com o Brasil que representa 70% do PIB do bloco Mercosul e concentra 80% das exportações.
Fez depois uma incursão sobre o peso das relações comerciais do Mercosul com Portugal e o peso ainda mais acentuado que o Brasil apresenta (94% das trocas comerciais totais). As relações comerciais entre Portugal e o Brasil a evolução do IDE/IPE foram também objeto de análise, concluindo que continuam abaixo do seu potencial económico, e que está muito difícil inverter a irrelevância das relações comerciais que caracterizam os dois países. O Brasil continua fora do “TOP ten” do mercado de destino das nossas exportações, e o IPE de Portugal no Brasil tem descido desde 2023. Tendência contrária tem demonstrado o stock de IDE do Brasil em Portugal que atingiu o seu pique mais alto em 2025 com 4,4 biliões de euros.
Terminou a intervenção referindo-se aos aspetos que Portugal poderá oferecer no quadro do novo acordo e ao papel que as Associações Empresariais poderão desempenhar. Caracterizou a proposta de valor que estas terão de apresentar, e a mudança de paradigma da sua atividade e ações, para atingirem níveis elevados de eficácia e de resultados.