A Associação Industrial Portuguesa (AIP) promoveu em Braga, no Salão Nobre da Associação Empresarial de Braga (AEB), uma sessão de capacitação dedicada ao próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) da União Europeia, para o período 2028-2034, reunindo dirigentes e técnicos de associações empresariais da região Norte.
A iniciativa pretendeu reforçar a preparação do movimento associativo empresarial para um novo ciclo de financiamento europeu que poderá trazer mudanças significativas nas prioridades, nos instrumentos e nas condições de acesso aos fundos comunitários.
Na abertura dos trabalhos, o Presidente da AIP, José Eduardo Carvalho, destacou a importância de as associações empresariais acompanharem de forma proativa a evolução das políticas europeias, preparando-se para um novo enquadramento financeiro que exigirá maior capacidade de acesso aos programas comunitários.
Durante a sessão, Nelson de Souza, ex-Ministro do Planeamento e assessor da Comissão Executiva da AIP, apresentou uma análise sobre o estado das negociações do próximo QFP e sobre as profundas mudanças que poderão marcar o período 2028-2034.
Entre as propostas atualmente em discussão destaca-se uma redução de cerca de 13% da Política de Coesão e de 10% da Política Agrícola Comum, a par do reforço dos programas geridos diretamente pela Comissão Europeia e da criação do Fundo Europeu para a Competitividade, com uma dotação prevista de 275 mil milhões de euros.
As projeções apresentadas apontam para que Portugal possa vir a dispor de menos 16% de financiamento europeu no próximo ciclo orçamental, num contexto em que a União Europeia deverá dar maior prioridade à competitividade, inovação, defesa, segurança, autonomia estratégica e às transições digital e energética.
Importa, contudo, sublinhar que o draft de orçamento atualmente em discussão não é definitivo e poderá ainda sofrer alterações no decurso das negociações. A atual Presidência irlandesa do Conselho da União Europeia deverá apresentar um novo draft ao longo do presente semestre, pelo que os valores e propostas atualmente em análise poderão ser revistos.
Perante este cenário, a preparação das empresas e das suas estruturas representativas assume uma importância crescente. Será necessário reforçar a capacidade para identificar oportunidades, preparar projetos e competir diretamente pelos programas europeus, num modelo que poderá favorecer os Estados-Membros com maior experiência neste tipo de financiamento.
A sessão de Braga integra o trabalho desenvolvido pela AIP para capacitar o movimento associativo empresarial e preparar as empresas portuguesas para os desafios e oportunidades do próximo ciclo de programação europeia.